segunda-feira, 27 de outubro de 2014

O QUE LEVEI NA VIAGEM



          Aqui descrevo o que levei nessa viagem. Embora isso possa variar muito de um motoviajante para outro, para uma viagem longa é bom estar preparado. A grande maioria dos itens eu utilizei na viagem exceto aqueles que levo preventivamente, como chaves, kit de reparo de pneus e remédios. Tudo coube com folga nos dois baús e na bolsa de 50 litros (bolsa amarela impermeável de rolo, Ortlieb).


BAGAGEM EXPEDIÇÃO PACÍFICO ( 30 dias)
Alimentação e Hidratação (utilizados mais como reserva)
10 barras de cereais
2,0  litros de água mineral
Frutas secas
Tapaware pequenas para alimento, como pão, salame, frutas frescas etc.
Suco em caixinhas de dose única
Acampamento
Barraca
Saco de dormir
Lona para barraca
Fogareiro
gás
bucha
Pano de prato
Caneca plástica
Detergente
Saco de lixo
Isqueiro
Prato, panela e talheres
Aquecedores químicos para saco de dormir
2 Cobertores de alumínio
Barbante
Perfex
Panela
Roupas e acessórios de proteção do piloto
01 Capacete
01 conjunto Capa de chuva
01 Touca tipo Ivanhoé (ou balaclava)
01 Luvas de tempo bom
01 Luvas  impermeáveis (chuva e frio)
01 luva termo skin
01 Jaqueta 
01 calça de cordura
01 calça kevlar
01 Conjunto Camisa e calça  "segunda-pele"
01 par de Botas para pilotagem
01 spray anti-embassante para a viseira (uso interno)
01 spray para a viseira repelente de água (uso externo)
Desodorante capacete e jaqueta
Roupas para uso "fora" da moto 
02 calças
01 bermuda
04 camisetas
03 cuecas
04 pares de meia
01 Toalha
01 cinto
01 par de tênis 
01 par de Chinelos
01 blusa de frio
01 calção de banho
01 mochila pequena

Equipamentos de manutenção da moto
Kit de ferramentas original
Lubrificante de corrente (2)
02 Câmara de ar (01 dianteira e 01 traseira)
Bomba de ar (manual)
Lâmpada reserva do farol
Pedaço de mangueira para combustível
kit para reparo e troca da câmera de ar
02 spray reparador de pneus
luva de malha
corda fina que não seja muito lisa - 10 m.
Estopa
Cola Araldite
Silicone vermelho
Silicone Branco
Durepoxi
Acessórios para a moto
GPS 
Sistema bluetooth para capacete
Rastreador pessoal SPOT
Extensores elásticos (3)
Aranhas (1)
Reservatório extra de combustível
Chaves reservas da moto e baús
Extensores elásticos (3)

Ferramentas em geral
Chaves de boca, estrela e outras necessárias 
Fenda
Philips
alicate
Arame
Pedaços de fio
Canivete suíço
Lanterna de mão
Fita isolante
Fita silver tape
Abraçadeiras plásticas (tie up)
Carregador e/ou pilhas lanterna
Carregador ou pilhas GPS
pilhas rastreador

Outros acessórios do piloto
Celular
Máquina Fotográfica e acessórios
Tripé
Mapas
Diário de Bordo  (caderno pequeno)
Lápis e borracha
Tablet e acessórios
Cantil para água
Mapas Brasil e Peru
Livros -Guia turístico Peru.

Produtos de higiene pessoal
sabonete
 pasta de dente
 escova de dente
shampoo (frasco pequeno)
Protetor solar
Desodorante
Papel higiênico
Pente
Barbeador
Cotonetes
Cortador de unha
Creme hidratante
Repelente

Remédios 
Atadura
Cicatrizante
Esparadrapo
Tesoura
Plasil – náuseas e vômitos
Doralflex - analgésico e p/dor muscular
Biofenac spray 
Magnostase – antidiarréico
Eno – sal-de-frutas
Colírio 
Lenços úmidos

Planilha de distâncias



PLANILHA DE DISTÂNCIAS COM PLANEJAMENTO DA VIAGEM
Essa planilha foi preparada antes da viagem e não inclui trechos rodados para visitas ou dentro de cidades.

Origem Destino      Distância   Dist. Acum
Nova Xavantina Barra do Garças 151 151
Barra do Garças Primavera do Leste 272 423
Primavera do Leste Chapada dos Guimarães 170 593
Chapada dos Guimarães Cáceres 297 890
Cáceres Pontes e Lacerda 230 1120
Pontes e Lacerda Comodoro 195 1315
Comodoro Vilhena 117 1432
Vilhena Pimenta Bueno 185 1617
Pimenta Bueno Cacoal 41 1658
Cacoal Presidente Médice 71 1729
Presidente Médice Ji-Paraná 35 1764
Ji-Paraná Jaru 84 1848
Jaru Ariquemes 92 1940
Ariquemes Porto Velho 203 2143
Porto Velho Descanso 0 2143
Porto Velho Abunã 212 2355
Abunã Rio Branco 293 2648
Rio Branco Assis Brasil 331 2979
Assis Brasil Puerto Maldonado 230 3209
Puerto Maldonado Marcapata 294 3503
Marcapata Cusco 136 3639
Cuzco Descanso 0 3639
Cusco Descanso 0 3639
Cusco Descanso 0 3639
Cusco Abancay 191 3830
Abancay Chalhuanca 118 3948
Chalhuanca Puquio 138 4086
Puquio Nazca 139 4225
Nazca Descanso 0 4225
Nazca Descanso 0 4225
Nazca San Juan de Marcona 80 4305
San Juan de Marcona Camaná 392 4697
Camaná Arequipa 176 4873
Arequipa Descanso 0 4873
Arequipa Cabanaconde 216 5089
Cabanaconde Puno 313 5402
Puno Descanso 0 5402
Puno Descanso 0 5402
Puno Juliaca 46 5448
Juliaca Puerto Maldonado 536 5984
Puerto Maldonado Assis Brasil 230 6214
Assis Brasil Rio Branco 331 6545
Rio Branco Abunã 293 6838
Abunã Porto Velho 212 7050
Porto Velho Ariquemes 203 7253
Ariquemes Jaru 92 7345
Jaru Ji-Paraná 84 7429
Ji-Paraná Presidente Médice 35 7464
Presidente Médice Cacoal 71 7535
Cacoal Pimenta Bueno 41 7576
Pimenta Bueno Vilhena 185 7761
Vilhena Comodoro 117 7878
Comodoro Pontes e Lacerda 195 8073
Pontes e Lacerda Cáceres 230 8303
Cáceres Cuiabá 297 8600
Cuiabá Descanso - Revisão moto 0 8600
Cuiabá Chapada dos Guimarães 65 8665
Chapada dos Guimarães Primavera do Leste 171 8836
Primavera do Leste Barra do Garças 272 9108
Barra do Garças Nova Xavantina 150 9258

31/05/2014 - Cuiabá – Nova Xavantina

Parti de Cuiabá às 8:00 da manhã para a última etapa da viagem, segui para Chapada dos Guimarães, pela magnífica paisagem do Parque Nacional, depois Campo Verde, pela BR 070 e suas intermináveis e monótonas plantações. De Campo Verde até a vila Paredão a paisagem é muito chata. Plantações de soja, milho e algodão, nada mais, a não ser uma ou outra ema nas margens da estrada. Só na chegada de Paredão é que se tem uma belíssima vista de um imenso bloco de arenito, com uma das bordas retas, o tal Paredão que dá nome à vila, muito bonito.
            Chego em Barra do Garças às 13:30 hs. Ainda em tempo para o almoço com a família, meus pais, irmãos, filhos, sobrinhos, todo mundo reunido. Foi muito bom ver todo mundo junto de novo. Lá pelas 4 da tarde saí para Nova Xavantina, último trecho, mais 150 km e terminava a minha viagem.
Antes das 6 da tarde estou na porta da minha casa.  A cachorrada anuncia ruidosamente  que eu estava de volta. É pulo pra todo lado. O largo sorriso no rosto de Jane completa as boas vindas. É muito bom saber que hoje descanso em casa. A viagem foi fantástica. O sentimento de ter realizado um dos sonhos grandes, daqueles que estavam guardados há décadas no fundo do baú, é absolutamente fantástico. Desligo a GS 800 pela última vez nessa travessia, senti uma certa tristeza, não sei explicar bem porque. Acho que já é abstinência de estrada.

“Tenho duas armas para lutar contra o desespero, a tristeza e até a morte: o riso a cavalo e o galope do sonho. É com isso que enfrento essa dura e fascinante tarefa de viver.”
Ariano Suassuna

Meus mais profundos agradecimentos:
À João Alves Lima Neto; Jane Dilvana Lima (esposa), Alexandre Segatte, Heber Alfarano e Tatiana L. Melo (filha) – pelo incessante trabalho de me acompanhar pelo rastreador Spot. Receber suas mensagens ao longo da viagem me encheu de coragem e certeza de não estar só nessa jornada.
À Joãozinho, Talita e Roni, com quem partilhei os melhores pratos à base de peixe da viagem, em Porto Velho-RO.
À Romário do Hotel Las Torres Valsai – em Puerto Maldonado e Jurian do Hotel Gameleira – em Rio Branco no Acre pela amizade e presteza.
Aos inúmeros (e anônimos) amigos peruanos e brasileiros, que ao longo da viagem fizeram questão de torná-la mais suave e divertida.
Ao povo peruano, incrivelmente acolhedor.

Ao povo Inca, cuja obra fantástica na América do Sul motivou essa viagem.

29/05/2014 – Pontes e Lacerda – Cuiabá

Saio de Pontes e Lacerda as 8:00 da manhã. Após Cáceres, no posto 120, paro para almoçar e encontro um motociclista, caminhoneiro também, que está indo para o Sul do país em uma CB 300, visitar os parentes. Nesse mesmo restaurante um casal de Vilhena vinha para Cuiabá em uma GS 650. Vinham buscar uma GS 1200, que haviam adquirido, novinha em folha.

Chego em Cuiabá no meio da tarde do dia 29. No dia 30 sexta-feira, tenho revisão da moto já agendada na Munique Motors. Levo a moto ainda na quinta-feira para a revisão e lá encontro o casal que iria retirar a GS 1200, já experimentando a máquina.

Posto 120 – Entre Cáceres e Cuiabá – MT. Uma pose ao lado dos caminhões do exército.

Cuiabá 30/03/2014 – Sexta Feira.

            Revisão feita, nada de anormal. O único conserto necessário foi o amassado na roda traseira, reparado sem maiores problemas pelo Leandrinho. Tudo certo. No final da tarde da sexta-feira, reencontrei na concessionária o casal de Vilhena, agora já na GS 1200. Haviam rodado mais de 500 km pela Chapada dos Guimarães, iam fazer a revisão antecipada e seguir para Vilhena de volta. 


28/05/2014 - Cacoal - Pontes e Lacerda

Entre Cacoal e Pontes e Lacerda é o pior trecho da BR 364, principalmente entre Pimenta Bueno e Vilhena. Há muitos caminhões na estrada e, com a buraqueira, as regras de mão e contra-mão geralmente deixam de valer. Cada um procura um lugar pra passar pelos poucos espaços que sobram entre os imensos buracos. Em um desses, amassei levemente a roda traseira da moto. É muito buraco, difícil não acertar um ou outro.

27/05/2014 - Porto Velho – Cacoal

          Depois de um farto café da manhã no Hotel Caribe, o mesmo que fiquei na ida, saio de Porto Velho lá pelas 9:00 da manhã. Abasteço um pouco adiante já na BR 364. Daqui em diante é estrada na companhia dos caminhoneiros, novamente um mar de caminhões quase sem fim. Até Cacoal a BR 364 ainda está relativamente boa, com poucos problemas. São 490 km, em sua maior parte monótonos, com longos trechos de pastos e culturas margeando a estrada. Em muitos pontos estão reparando a rodovia e, algumas vezes fico parado em longas filas de caminhões esperando o trânsito ser liberado. Com a temperatura de quase 40 graus na rodovia, essas paradas são um verdadeiro tormento.

Paro para abastecer e, como tinha tempo de sobra, almoçar também na cidade de Jaru, depois de rodar aproximadamente 300 km. Chego em Cacoal às 3:00 da tarde. Poderia seguir adiante, mas prefiro cumprir minha rota pré-estabelecida, já que não adiantaria muito chegar adiantado em Cuiabá. Assim era melhor aproveitar lugares que eu não conhecia direito.

26/05/2014 - Rio Branco – Porto Velho

Saio cedo de Rio Branco. 8:00 já estou na estrada. Vou revendo a paisagem e colhendo novos detalhes. Embora possa parecer chato voltar pela mesma rota, não é. Vão surgindo uma quantidade imensa de detalhes que não se vê na primeira passagem. É quase como uma viagem nova, com exceção, que o caminho geral você já conhece. Mas não os detalhes. Uma montanha esquecida, uma rio que passou despercebido, uma lagoa do outro lado da estrada, novas paradas.
Um pouco antes da Balsa que atravessa o rio Madeira, paro no povoado de Abunã, para tirar umas fotos ao lado do que restou da estrada de ferro Madeira Mamoré, que ainda está bem no centro do lugar. Lá ainda estão parte dos trilhos, uma locomotiva e um estranho guindaste utilizado na construção da estrada, ambos à vapor. Fico imaginando como foi a última viagem dessa velha locomotiva, acompanhada de seu fiel parceiro guindaste, até esse local, para nunca mais saírem dali. É assim, nunca sabemos quando vai ser a última.

Chego a Porto Velho às 3 da tarde. Saímos à noite para comer um peixe, especialidade da cidade, e contar parte das aventuras pros amigos de lá.


Uma solitária locomotiva estacionada para sempre no que restou da estrada de ferro Madeira-Mamoré.

Guindaste utilizado na construção da ferrovia Madeira Mamoré, próximo a locomotiva. Ambos em sua última parada na utópica estrada de ferro.