Saí cedo de Puquio rumo
a Nasca. Como não havia café da manhã no hostel, às sete da manhã eu já estava
na estrada. Os 139 km que separam Puquio de Nasca é quase que totalmente de
cordilheira e em curvas. Mas a paisagem é absolutamente deslumbrante,
principalmente quando inicia a parte das grandes dunas, absolutamente sem
vegetação, que mudam de cor de acordo com a posição do sol e o tipo de solo.
Fantástico.
![]() |
Estrada entre Puquio e
Nasca.
|
![]() |
Entre Puquio e Nasca é
bom ficar muito atento. Há muitos caminhões na estrada e nem sempre respeitam a
faixa que nos separa na estrada.
|
A
estrada faz jus à fama de ser uma das mais perigosas do mundo. Embora tenha
pouco movimento, as curvas são muito fechadas e os caminhões, incluindo muitos
bitrens, avançam sempre em parte da pista contrária, sem nenhuma cerimônia
(embora geralmente buzinem, avisando que estão chegando na curva). É bom ficar
muito atento e se manter sempre o mais a direita possível, o que, em muitos
casos, significa muito próximo ao precipício. Em alguns pontos da estrada, uma
cruz solitária à margem do precipício indica o ponto onde alguém perdeu a vida
de forma trágica.
![]() |
Entre Cusco e Nasca, a
Interoceânica tem feito suas vítimas, mantendo a fama de uma das estradas mais
perigosas do mundo.
|
![]() |
Após centenas de
quilômetros de deserto, o primeiro sinal de verde na paisagem. Áreas cultivadas
no vale do Rio Nasca.
|
A
chegada a Nasca é super bem vinda, principalmente por entrar nesse ícone da
cultura Inca. Nasca além de estar em um deserto esplêndido com o mesmo nome, é
uma cidade muito interessante. Chego por volta das 11:00 horas, pois parei
muito para tirar fotos. Vou ficar aqui por duas noites. Fiquei no hotel Alegria
no centro da cidade, por 90 soles a diária. Ao lado tem uma agência turística
onde contratei um voo sobre as linhas de Nasca para a manhã do dia seguinte.
![]() |
Entrada
da cidade de Nasca.
|
Almocei perto do hotel e no início da tarde fui para San
Juan de Marcona, a uns 80 km de Nasca e que é um dos principais portos da
rodovia do pacífico, experimentar um pouco da rodovia Panamericana Sul e ter
meu primeiro contato com o oceano pacífico, que emprestou seu nome para minha
expedição pela terra dos Incas.
San
Juan de Marcona é uma cidadezinha portuária muito pequena, mas movimentada, um
grande canteiro de obras. Ela é meu principal objetivo, chegar ao pacífico aqui,
foi a meta maior dessa viagem. Como no poema Ítaca de Constatino Cavafis, Marcona também não tinha nada a me oferecer,
a não ser, ter sido o motivo para a fantástica travessia realizada para chegar
até aqui, e ter me mostrado que todos os perigos estão, na verdade, na alma do
aventureiro. Sou eternamente grato a ela.
![]() |
Chegada ao Pacífico, em
San Juan de Marcona. A paisagem é incrível.
|
Quando
estava nas margens do Pacífico fazendo umas fotografias, apareceram alguns
pescadores, jovens em umas motocicletas velhinhas e vieram conversar comigo.
Animados perguntaram muito sobre a GS, de onde eu era, com era o Brasil, que
estavam torcendo por nós na copa do mundo etc. Me falaram o nome da pedra do
elefante e da ilha da tartaruga, que ficam no mar, em frente ao local onde eu
estava parado. Despediram-se, desejaram-me boa sorte e foram pescar curvinas em
seus minúsculos barcos de pesca. Havia muitos deles ao largo do mar. Gente
simpática. Já sou amigo dos pescadores do Peru.
Saindo
de San Juan de Marcona, errei a rua e fui parar nas proximidades do porto, com
uma grande quantidade de belos barcos ancorados. Perguntei sobre a saída para
um garotinho de uns 13 anos, ele me disse para onde deveria seguir e pediu,
como “pagamento” pela informação, que eu acelerasse a moto para ele escutar o
barulho do motor. Paguei e ainda dei uma gorjeta (em roncos logicamente) ele
ficou todo feliz, fez sinal de positivo e se foi, e eu também, agora no caminho
certo.
No
dia seguinte, saí do hotel às 8:00 da manhã em direção ao aeroporto da cidade
para fazer meu tão sonhado vôo sobre as linhas de Nasca. O dia estava perfeito.
Há um número muito grande de pequenos aviões, decolando em fila para voar sobre
as linhas. Cada um com quatro passageiros.
![]() |
Aguardando
meu esperado vôo sobre as linhas de Nasca, com um céu perfeito.
|
![]() |
Devidamente
“acomodados” dentro do pequeno monomotor que nos levaria para o sobrevôo das
linhas de Nasca, com meus colegas de vôo, um casal de Franceses e um Inglês.
|
![]() |
A figura do Astronauta,
na encosta de uma montanha, parece dar as boas vindas para quem chega do alto.
|
O vôo foi fantástico. Lá estavam
todas aquelas míticas figuras que me atiçaram a imaginação, ainda na década de
70 (provocada principalmente pelo livro de Erick Von Daniken – Eram os Deuses
Astronautas?) No logotipo da expedição fiz questão de colocar algumas delas,
como o astronauta, a aranha e o colibri. O astronauta na encosta da montanha
acenando, como que me cumprimentando por ter cumprido a promessa de que um dia
iria vê-los, mesmo, com mais de 30 anos de atraso.
Na parte da tarde, depois do almoço composto
de peixe empanado, ceviche e arroz
com mariscos acompanhados de Inka Cola, passei a tarde zanzando pela cidade e
aproveitei para cortar o cabelo, que já meio grande insistia em me transformar
em uma figura esquisita, cada vez que tirava o capacete. −Máquina 2 dos lados e
3 em cima. Luiz, o barbeiro (peluqueiro),
um camarada meio rock and roll, super
gente fina, batemos um longo papo enquanto a maquininha zunia no meu pelo. Já sou amigo dos peluqueiros peruanos.
Em Nasca encontrei um
casal da República Tcheca que viajava em uma GS 1200. Eles a enviaram de seu
país para Valparaíso no Chile de navio, vieram de avião até lá e à partir dalí,
iriam viajar 18.000 km pela América do Sul e Central.
![]() |
Praça
central de Nasca.
|
![]() |
Almoço em Nasca. A
cidade tem muitos pequenos restaurantes, com ótimos pratos à base de frutos do
mar e bons preços. (Na foto, arroz com mariscos, ceviche e curvina empanada).
|












Nenhum comentário:
Postar um comentário