segunda-feira, 27 de outubro de 2014

22/05/2014 – Arequipa – Puno

De Arequipa até Puno são aproximadamente 300 km, em uma paisagem absolutamente espetacular (exceto a passagem por Juliaca). Depois de passar por uma parte de subida da cordilheira, surgem as imensas planícies do altiplano andino, no parque nacional Salinas Aguada Blanca. Parece redundante, mas a paisagem é novamente de deixar qualquer cristão (ou não) de boca aberta. Já estava achando que não me surpreenderia mais, que nada, de repente, imensos vulcões decoravam a paisagem, os imensos lagos de altitude a 4.000 msnm e temperaturas cada vez mais baixas até atingir meu record nessa viagem: 1,0 ºC negativo. Nas pradarias, imensos rebanhos de Ihamas, vicunhas e alpacas (não sei se todas juntas) pastavam solenemente. Mais adiante, a neve tornou a paisagem incrivelmente branca. Parei em alguns pontos para tirar fotos e andar um pouquinho com a GS sobre a neve, uma delícia. Foram dezenas de quilômetros nessa paisagem espetacular, até começar a descer em direção à Puno, às margens do lago Titicaca.

Altiplano entre Arequipa e Puno. Picos nevados e vulcão ao fundo da paisagem.


Estrada entre Arequipa e Puno: belíssima paisagem com muita neve.


Lago Lagunillas – a 4.000 metros de altitude, fica às margens da estrada entre Arequipa e Puno.

A incrível paisagem do altiplano Andino entre Arequipa e Puno, com dezenas de quilômetros de rodovia entre montanhas nevadas.


JULIACA – um caso a parte

A cidade de Juliaca é passagem obrigatória na rota Arequipa /Puno e Puno Puerto Maldonado. Se não fosse obrigatório, ninguém passaria por lá, mesmo ela se intitulando a Pérola do Altiplano.
Cheguei a Juliaca um pouco antes do meio dia. Depois de tanta paisagem deslumbrante, tava na hora de ter uma visão um pouco menos simpática do Peru. Pois bem, Juliaca está lá pra isso. A cidade é antipática. Feia de dar dó. O trânsito caótico na maioria das cidades maiores, aqui, com 300.000 habitantes é absolutamente louco. Resolvi pegar a via perimetral que passa por fora do centro, e que me levaria direto ao trevo para Puno, sem enfrentar o trânsito lento do centro da cidade. Me lasquei. A tal rodovia perimetral era só buraco, cada um maior que o outro. Em alguns, cabe uma Kombi inteira dentro e, outros, pra piorar estavam cheios de água barrenta. Não tem nenhuma regra de trânsito que valha nesse ambiente estranho. Literalmente é cada um por si. A única vantagem é que de tão ruim o trecho, ninguém consegue correr. Mas todo mundo atravessa na frente de todo mundo. De repente, você está frente a frente com uma van carregada de gente, tentanto vir pela contra-mão, enquanto um caminhão faz manobras estranhas, subindo por cima de calçadas (ou o que restou delas), gente atravessando, moto-triciclos às pencas, cachorro, gente correndo a pé, caminhão velho vendendo frutas parado no meio da via enquanto a freguesa escolhe a mercadoria, uma farra. E isso tudo, sem uma única placa dizendo pra que lado era a saída pra Puno. Se não fosse a minha falta de tempo e de paciência para isso, eu teria parado a moto em um canto qualquer e ficaria só observando aquela imensa confusão. Nunca havia visto nada igual. A única regra lá me pareceu ser a seguinte: caminhão grande (tipo carreta) não para pra ninguém, caminhão pequeno para pra caminhão grande (tipo carreta), camionete e van para pra caminhão pequeno e grande; carro para pra van, camionete e caminhões (independente do tamanho), e, obviamente, moto tem que parar pra todo mundo. E tome buzina nos mototaxistas (“centenas” deles). Que farra.
Parei ao lado de um guarda que observava toda aquela confusão, absolutamente tranqüilo, e perguntei se poderia me informar se o caminho para Puno era aquele mesmo. Me disse que sim, mas que deveria virar no próxima esquina e depois virar à esquerda em um determinado ponto que eu não entendi bem. Vendo minha cara de interrogação, pediu que eu o seguisse de moto, ao lado da calçada, enquanto ele corria a pé até a tal esquina. Lá, apontou para um prédio e uma árvore na rua, onde eu deveria entrar e aí seguir direto para Puno (Haha - pode haver amabilidade no caos).
Dei adeus agradeci a ajuda, ele me desejou boa viagem e me mandei rumo a Puno. Ainda bem que não tinha placa para Puno, assim o guarda teve a oportunidade de salvar parcialmente o nome da cidade. Tchau Juliaca! Vai ser feia assim lá longe, mas os policiais são bem educados e prestativos (como todos no Peru).
Cheguei a Puno às 13:00 h. Aqui também o GPS não funciona. Na entrada da cidade, de novo, pedi que um mototaxista me levasse até o hotel Camiño Real, que eu havia reservado no dia anterior pelo Booking.com. Me cobrou 5 soles e chegamos rapidamente. No hotel paguei diária de 80 soles, mais estacionamento de 5 soles, em outro hotel próximo, em estacionamento coberto onde já estavam “hospedadas” mais umas cinco GS, duas eram do Brasil.


Igreja na praça de armas de Puno.
Puno é uma cidade pequena e muito fria, mas com ótima estrutura turística. Tem tudo que o visitante precisa. Às 4:00 da tarde já estava em um barco para visitar as ilhas dos Uros no lago Titicaca, em um passeio agendado pelos recepcionistas do hotel, por 40 soles. A visita nesse horário, embora seja mais curta, te dá direito a um lindo pôr-do-sol no lago Titicaca, que visto das ilhas dos Uros com Puno ao fundo é uma visão fantástica. As ilhas flutuantes são totalmente construídas com totora, uma espécie de junco nativo do lago Titicaca que serve para construir também as casas e embarcações, além de muito artesanato. A sensação de andar pela ilha sobre o fundo de junco e não de terra é muito interessante.



Uma das Ilhas dos Uros (são mais de oitenta), ao entardecer no lago Titicaca.

Embarcação tradicional dos Uros, feita de Totora, uma espécie de junco nativo do lago Titicaca.

As ilhas são muito bem estruturadas e contam com luz elétrica de placa solar, restaurante, escola e chalés para turistas pernoitarem. Tomei um ótimo café adoçado com açúcar mascavo e um biscoito de quinua muito bom. Os habitantes são muito amáveis e fazem questão de contar sua história, muito interessante. Também estavam torcendo para o Brasil ganhar o mundial (pelo menos foi o que me disse um rapaz que tentava me vender um artesanato), tentei ouvir o que ele dizia para um turista argentino, mas não consegui.
Voltamos para Puno no início da noite, navegando no lago Titicaca com as luzes de Puno na encosta da montanha. Saí da embarcação direto para a praça de armas para jantar em um dos inúmeros, e aconchegantes, restaurantes nas proximidades. 





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