sábado, 18 de outubro de 2014

12/05/2014 – Marcapata a Cusco

No dia seguinte, nada de sair muito cedo. O frio era intenso e a montanha amanheceu mal-humorada. Uma neblina espessa não deixava ver nada além de uns 20 metros. Lá pelas 9 da manhã começou uma chuvinha fina, que era a neblina condensando, mas que despejava uma água danada. Com isso, a visibilidade melhorou um pouco, acho que tinha uns 50 metros. Um morador do local me disse que a neblina seria só até o ponto mais elevado da cordilheira Abra Pirhuayani, depois estava limpo. Parece que um caminhoneiro que veio de lá pela manhã disse isso a ele. Arrumei minha bagagem sob a chuva mesmo, liguei os faróis de neblina e o pisca alerta (como fazem os caminhões lá) e subi a cordilheira. Dito e feito. Pouco tempo depois já estava acima das nuvens, com um tempo limpo o suficiente para tirar fotografias e aproveitar a maravilhosa paisagem. A chuva estava abaixo de mim.

Neblina pela manhã em Marcapata. A cordilheira estava de mau humor.

Abra Pirhuayani, ponto mais elevado da estrada nesse trecho da viagem: 4725 metros acima do nível do mar.


Uma visão geral das curvas ao longo da cordilheira. Muitas curvas, estrada ótima e pouco movimento. O paraíso é aqui!
Nos pontos onde estava sendo restaurada, a rodovia se transformou em um caminho lamacento, estreito, na beira de um precipício que é bom nem olhar. Foco na frente e pronto. Mas o importante é que nenhum desses lugares está abandonado, sempre há um grande número de máquinas e pessoas trabalhando e abundante sinalização. Embora a viagem aqui seja bem mais solitária do que na maioria das estradas brasileiras, não se tem aqui, a sensação de abandono que se tem lá. Empresas de manutenção e polícia rodoviária circulam o tempo todo pelas estradas.
Após Abra Pirhuayani começa a descida da cordilheira em direção a Cusco. Depois de uns 80 km a temperatura começa a se elevar rapidamente e se estabiliza em torno de 12ºC.
A chegada em Cusco foi muito tranqüila, com parada para foto na entrada da cidade e tudo. Da entrada até o centro da cidade são aproximadamente 20 km, em trânsito intenso, com todo mundo buzinando alucinadamente. Achei legal, eles não buzinam com raiva, como se faz no Brasil, mas meramente por ter o hábito de buzinar. É pra avisar que está passando, mesmo que isso não tenha nenhuma necessidade. Entrei no clima e mandei buzina pra cima dos peruanos, não era de raiva, era pra dizer que estava feliz de entrar na capital do império Inca. 

Entrada de Cusco, a mítica capital do império Inca. Entrar nessa cidade, de moto, pela primeira vez, depois de rodar milhares de quilômetros é uma das grandes emoções que se pode ter na vida.


Ao contrário da grande maioria das cidades peruanas por onde passei, em Cusco as motocicletas são raras. Lá o GPS funciona perfeitamente, inclusive com relação à numeração dos prédios. Cheguei tranquilamente no hotel. Fiquei hospedado no Mister Inkas, um hotel bom e com preço acessível para um motoviajante. Está bem localizado, na avenida Tullumayo, uma avenida com amplo estacionamento no canteiro central. A maioria dos Hotéis dessa região da cidade está em ruazinhas muito estreitas que não tem nem como parar a moto para tirar a bagagem. Próximo ao hotel há um estacionamento pago, onde deixei a moto enquanto permaneci em Cusco. Lá deviam estar pelo menos umas 15 GS, de vários países da América do Sul.
No primeiro dia na cidade fui providenciar o seguro obrigatório para rodar no país, o SOAT. Com a ajuda da recepcionista do hotel, resolvemos rápido.



Av. Tullumayo, centro de Cusco.

Passei 4 dias em Cusco fazendo tours pela região, tentando entender um pouco mais a espetacular cultura Inca. Na maioria não fui de moto. Os pacotes são muito baratos e é menos arriscado, quando se viaja sozinho. As paradas nos pontos turísticos são longas e você tem obrigatoriamente que se manter afastado da moto por muito tempo e a longa distância. Embora o Peru seja muito tranqüilo, não quis arriscar muito.
Não é objetivo desse relato, descrever detalhadamente pontos turísticos, mas Cusco é uma cidade fantástica. Fiz o básico do turismo do lugar, com Machu Picchu, vale sagrado, Sacsayhuaman etc, e me encantei. Na cidade não se pode deixar de visitar o museu Inka. Andar à toa pela parte histórica da cidade já é espetacular. Inúmeros bons restaurantes oferecem todo tipo de comida e bebidas. O pisco sour (um tipo de caipirinha peruana) é maravilhoso. Assim como a cerveja Cusqueña. Recuperei as calorias perdidas rapidamente.


Dando as caras em Machu Picchu, o mais consagrado ponto turístico do Peru. 

Ruinas da cidade Inka de Ollantaytambo, no vale sagrado. Espetacular.

Montanha com a "face do Inka" sobre a cidade de Ollantaytambo. Uma incrível coincidência?
 
Sacsayhuaman -  Uma mega construção que pode ter sido uma fortaleza militar ou mesmo um lugar para rituais ao deus sol. Pedras gigantes encaixadas perfeitamente nos dão uma idéia da incrível arquitetura inca.



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