terça-feira, 7 de outubro de 2014

06/05/2014 – Pontes e Lacerda - MT até Cacoal - RO Trecho do dia 527 km




Túnel de mata pré-amazônica, entre Pontes e Lacerda-MT e Cacoal – RO

A estrada entre Pontes e Lacerda e Vilhena, está boa e com pouco movimento. Alguns trechos são incrivelmente belos, como o trecho que se percorre praticamente dentro de um túnel  de floresta pré-amazônica. Lá pelo meio do dia, fiquei mais de uma hora parado numa imensa fila de caminhões, enquanto um guincho retirava um container que caiu de uma carreta e foi parar no meio de um brejo amazônico. Levou um tempão, o que rendeu boas histórias de uns caminhoneiros que se juntaram em torno da moto. Lá pelas quatro da tarde, tomei minha primeira chuva verdadeiramente amazônica, sobre a moto. Eram pingos do tamanho de um ovo (talvez de codorna, mas ovo), parecia que o céu estava desabando sobre minha cabeça. E, assim como veio, passou e tornou a reinar um céu incrivelmente claro. Foi bom pra testar a jaqueta da Mormaii, não entrou uma gota sequer. É realmente a prova d´água. Ainda deu tempo de secar as roupas. Próximo à cidade de Pimenta Bueno, a estrada começa a piorar muito, é só buraco, alguns se incluiriam na categoria cratera.




Na divisa de Mato Grosso e Rondônia.

             Por aproximadamente uns 50 km, tenho que andar muito devagar, no meio de um mar de caminhões que se arrastavam, guinchavam e se contorciam no meio daquela buraqueira toda. Qualquer noção de regras de trânsito, nesse momento é esquecida pelos motoristas. Na cabeça de um monte de caminhoneiros (um monte mesmo), nada importa mais que a preservação dos seus caríssimos pneus. Desviam dos buracos como o diabo foge da cruz e, de forma absolutamente desorganizada. Piscar os faróis para quem vem em sentido contrário é a senha para eles entrarem na contra-mão sem nenhuma cerimônia. Nesses momentos dá pra entender perfeitamente: as estradas brasileiras são dos caminhões, qualquer outra coisa de rodas (ou patas) que circule por elas é considerada intrusa, inimiga, isso logicamente, inclui motocicletas e seus condutores. Então, melhor ficar alerta.

Parado na estrada, sob um calor terrível, em uma fila de caminhões esperando as máquinas removerem um container, que caiu de um caminhão em um brejo às margens da BR 364, quando o motorista fez a curva “meio rápido”.

Em Cacoal, fiquei no Hotel Eder, às margens da avenida principal (que também é a rodovia), por R$ 68,00. Ótima relação custo benefício, com internet rápida, ótimo atendimento, estacionamento coberto e até uma pequena Lan House à disposição dos clientes, incluída na diária. Os recepcionistas me informaram sobre a origem do estranho nome da cidade Cacoal. É uma mistura de café e cacau, o primeiro implantado aqui na década de 70 e o segundo nativo. Nenhum dos dois prosperou, o café perdeu espaço pro boi e o cacau foi quase extinto pelo desmatamento. Restou a homenagem no nome e bandeira da cidade. Em alguns pontos nas margens da estrada ainda existem pequenos pontos de comércio que vendem um ou outro fruto, retirado da mata ou de pequenas propriedades.


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