segunda-feira, 27 de outubro de 2014

23/05/2014 – Puno – Puerto Maldonado

Infelizmente meu tempo em Puno foi curto, apenas meio dia, pois tinha que fazer coincidir a data para a revisão da moto em Cuiabá e meu retorno ao trabalho também tinha data certa. Saí cedo de Puno, 7:30 horário local, após um ótimo café da manhã no hotel. Na saída da cidade fui abastecer e descobri que havia recebido uma nota de 50 soles falsa de alguém. Não tenho a mínima idéia de quem foi. Já que havia trocado dinheiro também em Cusco. Duas mocinhas, frentistas do posto é que descobriram. Separei a nota para não passar para alguém por engano e assumi o prejuízo. Me desejaram boa viagem, alertaram para o perigo de pequenos furtos em Juliaca e adiós. Segui rumo a Juliaca.
Dessa vez passei pelo centro da cidade de Juliaca ao invés de usar a rodovia perimetral. Foi bem mais rápido, apesar do trânsito totalmente engarrafado é menos caótico. Cruzei a cidade em aproximadamente uns 30 minutos, cheguei até a tal perimetral toda esburacada, e, em mais uns 5 minutos já estava saindo definitivamente da cidade rumo a Puerto Maldonado.

De Juliaca a Macusani a maior parte viagem é pelo altiplano, com paisagens lindíssimas e asfalto maravilhoso. Próximo a Macusani começa a cordillera Carabaya, que se emenda com a Serra de Santa Rosa, até próximo a Loromayo, já na Floresta Amazônica. Nesse trecho, na cordilheira, ainda estão fazendo vários consertos na rodovia. Não sei se todos foram por motivos de desmoronamento, mas alguns sim, muitos pontos da cordilheira cederam sobre a estrada e interditaram a passagem. Existem muitos pequenos desvios de terra, geralmente com muito barro, devido a elevadíssima umidade da cordilheira. Mina água da montanha por todo lado.

Muitos dos povoados estão inseridos em vales no altiplano andino.

Vista geral do altiplano, com suas montanhas de neves eternas ao fundo.

Em um desses locais estão construindo um grande túnel que mudará a rota da estrada. Próximo dali, se passa pelo leito de um rio de mais ou menos uns 10 metros de largura, com águas muito rápidas, só que raso, acho que entre uns 40 a 50 cm de profundidade. Vi que dava pra ver bem o fundo enfiei a GS e fui embora. O problema é que o leito é todo de pedras grandes, muito irregulares. Em carros baixos ou motos menores ou mais baixas deve se redobrar o cuidado ao passar, se cair, a correnteza é bem forte. Mas haviam várias pessoas no local, todas trabalhando na obra. Eu acho que logo aquilo vai estar resolvido. Nesse trecho acho que passei por uns três túneis, um deles muito longo, que não me lembro o nome.
Já na parte final da tarde, quando ainda estava na cordilheira dentro da floresta amazônica, experimentei um fenômeno fascinante. Era possível perceber a intensa evapotranspiração da floresta. Uma quantidade imensa de água se formava no capacete e em minha roupa, sem ter nada de chuva. Isso foi até próximo a Mazuco, quando surgiram as primeiras áreas desmatadas nas margens da estrada e imediatamente o fenômeno desapareceu. Fiquei imaginando, impressionado, quanta umidade do ar se perde depois do desmatamento. Cruzei o rio Iñambari pela segunda vez na viagem, de agora em diante, a estrada já era conhecida. Estava retornando para o Brasil, sobre o mesmo caminho que já havia trilhado.

Em vários pontos da estrada a travessia da cordilheira é feita por túneis como esse.

Próximo a Puerto Maldonado, a floresta amazônica ainda está intacta na parte da cordilheira. As nuvens baixas são formadas pela imensa quantidade de água liberada na atmosfera pela própria floresta. 
Passei por Mazuco lá pelas 5:30 da tarde e cheguei em Puerto Maldonado às 7:30. No início da cidade parei próximo a um bar para ver em minhas anotações como chegar ao Hotel. Enquanto fazia isso, logo à minha frente parou uma motocicleta bem velhinha com dois rapazes, que seguiram para o bar ao lado. Percebendo que eu verificava as anotações na caderneta, se aproximaram e perguntaram o que eu procurava, eu disse que estava vendo como chegar ao hotel. Me pediram o nome do hotel e me levaram até lá, sem nenhum custo. Foi uma cena engraçada, eles na moto na frente, com os “piscas” ligados, dando sinal de farol, o garupa agitava as mãos freneticamente para que todos abrissem caminho para nós. Para eles, aquilo era uma missão de escolta. O mais interessante era que os outros motoristas e motociclistas obedeciam. E assim, chegamos rapidamente ao destino. Dei uma gorjeta para os dois e eles se foram noite adentro. Fiquei ali, rindo sozinho daquela situação toda. Não sei se aceitaria o favor em um lugar desconhecido no Brasil.
No hotel reencontrei meu amigo Romário, o gerente do hotel, muito solícito e simpático.

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