sábado, 18 de outubro de 2014

17/05/2014 – Cusco – Puquio

Depois de 4 dias de farra gastronômica e muita cerveja Cusqueña, chegou a hora de me mandar de Cusco. O próximo trecho, até Nasca tem a fama, segundo o site http://vidaeestilo.terra.com.br, de ser uma das doze estradas superperigosas do mundo. Uma preparação psicológica seria necessária para fazer esse trajeto e, para isso, nada melhor que uma cerveja Cusqueña bem gelada (caso raro por aqui) em um bom restaurante da Plaza de Armas. Assim me preparei para a missão do dia seguinte, seguir até Puquio (se diz Púquio) a 485 km de Cusco, com “milhões” de curvas na cordilheira dos Andes.

Saí do hotel em Cusco as 8:00 e, até abastecer, acabei saindo do centro da cidade as 8:30. A saída da cidade em direção à Nasca é longa e lenta, pois a rodovia corta a cidade pelo meio e passa por uma região periférica com ruas estreitas e muito movimentadas, com subidas íngremes e muitas vans de turismo e transporte urbano, acho que por pelo menos uns 15 km, dentro da cidade. Após a saída da cidade, à aproximadamente uns 20 km está a entrada para a rodovia que leva a Abancay. 
Se eu pensava em andar rápido agora, me enganei. A rodovia corta uma quantidade imensa de pequenos pueblos. A estrada está repleta de gente e bicho de tudo quanto é espécie. Crianças correndo, velhinhas transportando imensos fardos de plantas nas costas, pastores tocando ovelhas, vacas, cavalos, galinhas, porcos, cães, gatos, lhamas, alpacas, jumentos, isso mesmo até jumentos, uns jumentos coloridos e peludos, que devem existir só nos Andes mesmo. E pra balancear essa confusão toda, uma quantidade imensa de quebra-molas (garantia de que todos os pedestres, bípedes ou quadrúpedes permaneçam vivos). Estou encantado com tudo isso. O mais interessante é que não vi nenhum animal morto nas margens da estrada, isso em toda a viagem.

Rio Apurímac, entre Cusco e Abancay, com águas de derretimento das neves da cordilheira.
 Em um desses pueblos alguém amarrou uma vaca com uma corda longa, acho que de uns 15 metros, em uma árvore próxima à estrada, para que o dito animal pudesse pastar com liberdade restrita. Só que a vaca foi para o meio da estrada (e não para o brejo), na tentativa de alcançar o capim do outro lado da rodovia. Assim, ficou a vaca em uma ponta, a árvore na outra e a corda esticada a mais ou menos um metro de altura, impedindo o trânsito na rodovia. Lentamente e, com autorização da vaca, passei riscando o focinho do bicho e fui embora, enquanto uma fila de carros se formava do outro lado do bovino. Já me sinto amigo das vacas do Peru.
Com o buzinasso que se formava, uns 200 metros adiante, encontro com o “vaqueiro” em desabalada carreira rumo à confusão, para resolver o problema.
O caminho para Abancay é de muitas curvas com alguns trechos de retas curtas e sempre subindo e descendo montanha. Embora a estrada seja muito boa e bem sinalizada, há trechos localizados com danos, mas sempre com indicações do problema e equipes trabalhando nos locais. Em um trecho próximo a uma mineradora, o peso dos imensos caminhões de minério destruiu completamente o asfalto, que parece, desistiram de refazer. Esse trecho de 1 ou 2 quilômetros é de terra mesmo, mas bem cascalhada.
            Abancay está localizada em um imenso buraco na cordilheira dos Andes e é uma cidade com boa estrutura e relativamente grande. Depois de Abancay inicia-se a subida novamente até alcançar o altiplano Andino, com uma paisagem estonteante. Um sonho para qualquer motociclista. Uma paisagem de vegetação rasteira, verde, com uma quantidade imensa de camelídeos (lhamas, alpacas e vicunhas) pastando solenemente pelas montanhas e margens da estrada. E, lógico, atravessando a rodovia no momento em que acharem interessante. Aqui, todo cuidado é pouco. A paisagem rende fotos impressionantes e, com um pouco de sorte, é possível tirar uma foto ao lado desses animais, com moto e tudo.

Abancay – uma cidade bem estruturada, em um profundo vale na cordilheira dos Andes, entre Cusco e Nasca.

Posto na saída de Abancay para Nasca. Boa estrutura com lanchonete.

Altiplano Andino, com lhamas, alpacas e vicunhas pastando ao longo das margens da rodovia.

Pose ao lado da "bicharada" no Altiplano Andino. Paisagens fantásticas.
Após o altiplano, inicia-se uma nova e longa sessão de curvas, as últimas na descendente até chegar em Puquio. Cheguei lá pelas 8:00 da noite. Como o GPS também não funciona aqui, pedi que um mototaxista me levasse até um hotel. Me levou para um hostal bem legal (que eu não lembro o nome) próximo a praça central da cidade. Quando perguntei quanto era, o cara não quis receber, eu insisti em lhe dar uma gorjeta e ele também não quis, me disse que havia feito uma corrida e que estava voltando para o ponto, que ficava na praça ao lado, e que assim não deveria cobrar nada, pois de qualquer forma, teria que passar na porta do hotel para voltar. Despediu-se, desejou boa noite e se mandou. Já sou amigo dos mototaxistas do Peru.
O Hostal, muito bom para o preço, me cobrou 30 soles pelo pernoite, com água quente e uma boa cama, com cobertas suficientes para não passar frio. Saí para jantar na pracinha da cidade, à uns 100 metros do hotel. A cada 50 metros no entorno da praça tem uma polleria (que é uma churrascaria de frangos), com preços muito bons e o frango melhor ainda. Pedi um quarto de pollo com salada e papas fritas e uma cerveja cusqueña, essa em homenagem ao meu amigo mototaxista. Tudo ficou por 20 soles.

Para quem fizer o mesmo trajeto, quando chegar em Puquio, continue pela rodovia até chegar a uma curva em que do lado esquerdo há o restaurante Andes, vire nessa rua para a direita, subindo para o centro da cidade. Lá, próximo a praça existem vários locais de hospedagem, muitos com estacionamento para motos. 

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